Circo do Silêncio

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Alex Grey

Para quem não conhece o artista vale a pena visitarem o site do alex grey, criador deste e das mais diversas obras transcendentais do ser humano.
Responsável pela ilustração da verdadeira obra prima do ultimo trabalho dos Tool, "Lateralus", Alex Grey consegue nas suas pinturas, transpor para o observador uma interpretação ambigua do verdadeiro sentido da palavra "ser" humano.
Demonstrando nas suas obras um lado orgânico de que todos somos constituidos, Alex Grey realça porém o lado espiritual que o Homem possui, levantando a eterna questão de que se somos somente um corpo material, constituido unica e exclusivamente por um conjunto de circuitos interligados, ou se realmente somos uma força "alma mater" que transcende o corpo que utilizamos para realizar as nossas pretensões.
Ao observarmos qualquer um dos trabalhos do artista, deparamo-nos com a verdadeira essência do ser humano, perante a mente do seu criador. Um conjunto de orgãos vitais que fornecem a energia necessária para a existência deste, inclusive o cerebro fisico, no entanto presenciamos uma aura inexplicável que se observarmos com a devida atenção no nosso quotidiano, a encontramos em todas as pessoas que nos rodeiam. Se todos observarmos com o devido olhar detrás das fachadas que a vida nos hipnotizou, iremos encontrar algo mais de que o corpo humano é. Iremos encontrar com certeza a magia de que todos somos possuidores, que é o sermos donos de um corpo fisico, uma alma, e acima de tudo de uma essência distinta que nos diferencia de todos os outros. O conjunto de sensações que já sentimos, ou que pretendemos sentir, é com certeza aquilo que somos.
Alex Grey além de ter olhado e sentido tudo o que pinta, tenta através do seu talento e da sua genialidade, transpor-nos para a realidade ilusória que cada um dos seus trabalhos possui. Vale a pena saber sempre um pouco mais...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Khold (assim como a alma...)

Os noruegueses Khold afirmaram-se como uma verdadeira antítese à abordagem ultra-rápida que caracterizava o movimento em que se moviam.
Possuidores de quatro trabalhos frios e doentios, com os titulos de "Masterpiss of Pain", "Phantom", Morke Gravers Kammer" e o recente "Krek", os Khold são uma das propostas mais interessantes saídas do movimento black metal escandinavo nos últimos anos. Liderado pelo vocalista/guitarrista Gard, a música do colectivo mostra uma despreocupação total em relação á forma de como o black metal tem que ser selado pelo universo dos seus seguidores. Apesar de incluirem todos os ingredientes básicos para estarem integrados neste espectro musical, a música de Khold ultrapassa qualquer barreira existente por parte dos seus fundadores e mostra-nos por impossivel que possa parecer, uma atmosfera ainda mais distante, fria e mais doentia do que estamos á espera.
Os seus temas desenvolvem-se a uma velocidade ultra-lenta, apoiados numa dose de balanço sem precedentes. Pegando no peso saturado de sujidade sonora habitualmente associado ao Doom/Sludge, Gard e os restantes membros, escreveram ao longo das suas carreiras temas verdadeiramente contagiantes. No entanto, o que os destaca não é o peso arrastado, nem a dose extra de groove. O que os separa de todos os outros é qualidade soberba dos riffs, incrivelmente memoráveis e dignos de proporcionar ao mais estático dos headbangers, uma valente dor de pescoço. "Krek" é um disco que não traz ao leitor nada de inovador na carreira de Khold ao ouvinte e talvez seja esse mesmo o seu único senão. Ao fim de 34 minutos, ficamos com essa sensação, um pouco decepcionados e famintos por algo mais. Resta esperar que seja um senão que futuramente seja ultrapassado e alimentado pelo que os Khold nos habituaram.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Dentro e Sobre Os Homens

Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto.
Depois das nuvens, no último lugar do mundo, ficamos aonde não chegam as vozes. Os nossos olhares estendem-se aos cantos mais esquecidos das casas, ao fundo do mar, aos lugares que só os cegos vêem, às rochas cobertas por folhas na floresta, às ruas de todas as cidades. Os nossos olhares tocam os lugares iluminados e tocam os lugares negros. Ninguém e nada nos pode fugir. À noite, estendemos os braços para entregar uma bala, ou um frasco de veneno, ou uma lâmina, ou uma corda. À noite, tocamos em rostos. E sorrimos. O som de um tiro. O fogo dentro de um frasco de veneno. Sangue a secar na linha de uma lâmina. Uma corda esticada na noite. Morte fogo, sangue morte. E sorrimos. Longe da lua, depois das nuvens, o nosso rosto é uma ferida aberta no céu da noite. O mundo, diante de nós. Podemos tocar-te agora. Com o movimento mais pequeno de um dedo, podemos destruir aquilo que te parece mais seguro. Estás diante de nós. Se quisermos, podemos tocar-te. Se quisermos, podemos destruir-te.
Dentro e sobre os homens, somos o medo. São as nossas mãos que determinam a fúria das águas, que fazem marchar exércitos, que plantam cardos debaixo da pele. Sabemos que nos conheces. Em algum instante da tua vida, enchemos-te e envolvemos-te com a imagem da tua vida, enchemos-te e envolvemos-te com a imagem da nossa voz, a imagem do nosso significado, o silêncio e as palavras. Num instante que escolhermos podemos voltar a encher-te e a cobrir-te. Sabemos que conheces o frio e a solidão à margem das estradas quando a noite é tão escura, quando a lua morreu, quando existe um deserto de negro à margem das estradas. Olha para dentro de ti e encontrar-nos-ás. Olha para o céu, depois das nuvens, e encontrar-nos-ás. Nunca poderás esconder-te de nós. Esse é o preço por caminhares sobre a terra onde, um dia, encontrarás para sempre. As últimas pás de terra a cobrirem-te serão as nossas pálpebras a fecharem-se. Só então poderás descansar.
Somos o medo. Conhecemos tantas histórias. Todos os amantes que olham pela janela e imaginam que se perderam para sempre. Todos os homens que, num quarto de hospital, abraçam os filhos. Todos os afogados que, pela última vez, levantam a cabeça fora de água. Todos os homens que escondem segredos. E tu? Escondes algum segredo? Não precisas de responder. Conhecemos a tua história. Vimos-te mesmo quando não nos vias. Vemos-te agora. Escondes algum segredo? Responde quando te olhares ao espelho. O teu rosto duplicado: o teu rosto e o teu rosto. Quando vires os teus olhos a verem-te, quando não souberes se tu és tu ou se o teu reflexo no espelho és tu, quando não conseguires distinguir-te de ti, olha para o fundo dessa pessoa que és e imagina o que aconteceria se todos soubessem aquilo que só tu sabes sobre ti. Nesse momento, estaremos contigo. Envolver-te-emos e estarás sozinho.
Depois das nuvens, sobre os homens, debaixo da pele, dentro dos homens, esperamos por ti. Estamos a ver-te agora, enquanto lês. Estaremos a ver-te quando deixares de pensar nestas palavras. Dentro e sobre o teu rosto, sabemos os teus pecados. Dentro e sobre o teu rosto, sabemos os teus segredos. Sabemos aquilo que escondes até de ti próprio. Não nos podes fugir. Na palma das nossas mãos seguramos o teu coração. Se quisermos, podemos apertá-lo agora. Se quisermos, podemos esmagá-lo. Não podes fazer nada para nos impedir. O nosso olhar está parado sobre cada um dos teus gestos e sobre cada uma das tuas palavras. Diz uma palavra agora. Faz um gesto. Sorrimos perante as tuas palavras, como sorrimos perante o teu silêncio. Ninguém poderá proteger-te. Ninguém pode proteger-te agora. És ainda menos do que imaginas. Nós assistimos a mil gerações de homens como tu. Para nosso prazer, deixámo-los caminhar pelas linhas das nossas mãos. Para nosso prazer, tirámos-lhe tudo. Guiámos gerações inteiras de homens por túneis que construímos em direcção a nada. E, quando chegaram ao vazio, sorrimos. És igual a todos eles. Esperamos por ti dentro e sobre o teu rosto. Continua o teu caminho. Segue por essa linha da nossa mão. Nós sabemos onde termina esse túnel em que caminhas. Contina a caminhar. Nós esperamos por ti. Sorrimos ao ver-te. Depois das nuvens, somos o medo. Debaixo da pele, somos o medo.

terça-feira, outubro 18, 2005

Do primordial a um Mindprob...

Tudo começou em Goa, Índia, no final dos anos 80, onde hippies, viajantes, buscadores espirituais, freaks e um sem número de pessoas conectadas a alguma manifestação de contracultura, encontraram hora e lugar para um conhecimento técnico de produção de música electrónica e de um pró desejo de experimentar, e desenvolver de forma intuítiva, um novo estilo sonoro.
Foram incorporados à música tradicional, elementos de sonoridade oriental, bem como ritmos menos industriais do que aqueles tão comun ao techno urbano, que era o estilo vigente da época. Informações rítmicas, tribais e étnicas foram também incorporadas, resultando assim numa música mais orgânica, mais facilmente assimilável, que estimulava não só estados próximos ao trance místico mental (associados aos mantros indianos), mas também uma maior harmonia com os ambientes naturais e ao ar livre.
Festas espontâneas surgiram no litoral de Goa, quando voluntários se encarregavam de instalar som e decoração precárias, mas suficientes para levar aos participantes uma oportunidade de experimentar uma atmosfera celebrativa muito especial, não só através da música, mas também de uma vivência única de liberdade e tolerância, da dança sem regras e das viagens psicadélicas e espirituais através de drogas libertadoras da consciência como o LSD e a Mescalina.
Foi assim que nasceu o chamado Goa-Trance. Inicialmente melódico e muito carregado de elementos orientais, foi levado à Europa, onde aos poucos se multiplicaram festas inspiradas sempre fluidas de um ambiente "underground". A grande maioria das músicas utilizadas não eram publicadas pelos rótulos electrónicos da época, mas sim material original levado pelos próprios produtores, ou por coleccionadores com exclusivas conexões. As festas foram aumentando de tamanho, atraindo mais e mais pessoas e trazendo ao de cima um revivalismo das velhas aspirações dos movimentos "hippie" e da contracultura dos anos 60 e 70. Isto explica o processo de fusão cada vez mais nítido do velho rock'n roll às batidas hipnóticas da música electrónica e dos elementos orientais. De alguma forma, é possivel dizer que o trance acaba por se tornar a expressão mais electrónica do rock'n roll, contendo não só elementos musicais de algumas das suas vertentes, mas também certos aspectos comportamentais.
Apesar de variadissimos projectos bastante interessantes, MindProb afirmou-se neste género musical, com uma caracteristica (que na minha opinião) é sem duvida valorizada. Oriundos da Argentina, estes mestres de produção construem uma sonoridade mística, carregada de magnitude obscura. "Obscure process", lançado no passado ano de 2004, é um album recheado de toda a magia e envolvência mistíca que só o Darktrance nos pode transmitir.
Não aconselhável a pessoas mentalmente sensiveis, pois só o poder musical presente neste projecto é o suficiente para nos levar numa viagem aos nossos mais profundos "demónios"...

segunda-feira, outubro 10, 2005

Ghost Of Reveries

Mikael Akerfeldt (Voz, guitarra), Peter Lindgreen (Guitarra), Martin Lopez (Bateria), Martin Mendez e Per Wiberg (Teclados) formam os Opeth, um dos pilares mais emblemáticos no panorama do death metal progressivo.
Devo confessar que já há muito tempo que esperava por este novo trabalho dos Opeth e que fiquei estremamente surpreendido, com a capacidade ainda existente, em que este quinteto oriundo da Suécia possui em nos surpreender com faixas extremamente agressivas porém rodeadas de melodias envolventes. A visível fusão existente nos antigos trabalhos destes mestres musicais entre o Death metal e o rock progressivo bem ao estilo de Pink Floyd, continua presente neste novo album, no entanto o set de 8 faixas presente em Ghost of Reveries não nos relembra de modo martirizante qualquer edição musical ja presente na carreira dos Opeth.
Continuando senhores de um carisma inigualável e de um talento invejável, os Opeth continuam a ser uma se não a melhor banda de death metal progressivo. Obviamente gostos não se discutem pois a beleza está nos olhos de quem a vê...!!
Indiscutível é o facto de este album presentear a qualquer ouvinte, uma hora, seis minutos e quarenta e nove segundos do melhor que a magia da música nos oferece.

domingo, outubro 02, 2005

Diary Of Dreams

Os germãnicos Diary of Dreams voltaram a presentear-nos com mais um fantástico album bastante "escuro" e intenso bem ao nivel daquilo que ja estavamos habituados. Mais uma vez o lider e mentor da banda, Adrian Hates, envolve-nos numa atmosfera melancólica com uma mistura confusa e sombria que nos arrasta para um espaço recheado de angûstia e frieza. Carregado de uma beleza obscura sedutora, este novo album "Nigredo", é um trabalho compacto, denso, tornando-se deprimente para qualquer mente susceptivel a sonoridades influêntes.
Considerados como uma das mais valias no mercado DarkWave alemão, os Diary of Dreams conseguiram arranjar espaço na sua digressão de 2005 para passar por território Português. Derivado ao visível empenho da loja alquimia em Leiria e dos restantes patrocinadores em fomentar a realização de espectáculos musicais alternativos, em Abril deste ano os Diary of Dreams deram um fascinante espectáculo na discoteca Alibi em Leiria, para uma plateia que mais parecia uma sociedade secreta composta por 300 pessoas.
Para quem não teve a oportunidade de presenciar este momento único, basta esperar pela próxima oportunidade, contentando-se em deixar-se fluir pela magia sonora presente em "Nigredo" !!

sábado, outubro 01, 2005

The Old Dead Tree

Contagiante e influente é o que podemos chamar a este disco. "The Perpetual Motion" é um excelente disco que nos remete directamente para os mais recentes trabalhos de Anathema, mas que vai revelando progressivamente outras referências neste novo trabalho. Com as pequenas características de death metal, progressive rock a até jazz, este quarteto Francês espanta qualquer ouvinte experiente , com as suas alterações de sonoridade e a facilidade com que criam melodias extremamente envolventes.
Faixas como "I can't get rid of it", "Out Of Breath" ou "My Friend", são exemplos da enorme capacidade que os The Old Dead Tree possuem em criar um trabalho bastante ecléctico onde a música transporta-nos para uma viagem sonora verdadeiramente alucinante. Para os mais curiosos aconselho vivamente em irem assistir á passagem destes senhores por território nacional em Novembro como banda suporte dos Holandeses Epica.

Swallow The Sun

Oriundos da Finlândia, estes finlandeses formados em 2000, ja possuem na sua história dois albuns e uma maqueta. A maqueta fora lançada no ano de 2003, com o titulo de "Out Of This Gloomy Light" e o primeiro album vem a surgir no passado ano de 2004.
"The Morning Never Came" de 2004 conseguiu permirtir á banda reconhecimento internacional, com a qualidade de um dos melhores grupos de doom metal da actualidade. De regresso com a sua angustia melódica habitual, Swallow The Sun apresenta-nos um novo trabalho carregado de intensidade ao estilo de bandas como Cult Of Luna, Callisto, ...and oceans, mas com uma vertente mais reforçada em nos mostrar a sua maior aproximidade dos britânicos My Dying Bride.
Com a voz gutural, a presença de teclados e de guitarras remetidas para o segundo plano, Ghost Of Loss transporta-nos pa uma dimensão musical onde os dias cinzentos e chuvosos, ficam preenchidos com a melancolia agradável encontrada em cada faixa.

Hypocrisy

Após uma década de carreira, mais uma vez Hypocrisy demonstra-nos que continuam a ser uma das bandas mais letais no panorama do black/death metal. Virus apresenta-se como um dos trabalhos mais fortes dos últimos anos. Estreante na subordinação de Peter Tãgtren, lider,vocalista e produtor da banda como noutros projectos, encontra-se Horgh, ex-baterista dos Immortal. Repleto de material brutal e agressivo, as faixas de Virus preenche-nos com melodias épicas transportando-nos para os trabalhos mais antigos deste grupo sueco.
Sem duvida um album a não perder, que irá com certeza agradar aos ouvidos dos mais exigentes e aos seguidores do trabalho dos Hypocrisy.

Nocturna
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